terça-feira, 6 de março de 2012

Eu e a minha sombra


Por entre cada caminho percorrido, por cada palavra ao vento e cada batalha errante, encontrei em ti o meu eu. No infinito da minha alma vejo o que não consegui com os meus olhos…o meu reflexo. A luz do luar que se refletia na parede iluminava o meu corpo enquanto me movimentava. Fiquei a olhar extasiada. Os contornos dos cabelos, a curvatura do pescoço, dos ombros, as linhas dos braços, o perfil do rosto e do busto. Gostei do que vi. Parecia tão bonito. Não propriamente por ser eu, mas por ser um corpo em movimento. Só que o facto de ser o meu corpo deixou-me mais encantada. Será esta vaidade legítima?
Estou a transformar-me numa narcisista, ou não.

domingo, 4 de março de 2012


És o doce amanhecer
o sol que me envolve e protege,
que aquece a minha alma,
a chuva que acaricia o meu rosto
e me faz vibrar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012


De onde vem este sopro de liberdade, que faz esvoaçar os meus cabelos e que beija o meu corpo? Que me sussurra ao ouvido e faz com que perca a noção do certo e do errado, que por instantes abre os meus braços, e eu, deixo-me levar.  De onde vem este mar agitado que flui dentro de mim…e que me faz vibrar ao sabor do luar.
 Trago em mim o amparo, o  encantamento das paixões e o feitiço dos sonhos...que também sonho. Nesta permanente transição entre a luz e a obscuridade, quero acordar em ti, num abraço apertado e sentir-me sol.


Parecia um "até logo". Ainda sabe a isso.
Aquele adeus não parecia real. Levei dias a assimilar a profundidade e consistência daquela despedida. Ainda me soa como um "até logo".
Quando as coisas são vividas de modo intenso, deixam-nos num estado de deslumbramento que ofusca a realidade e distorce as coisas. E parece que o mundo é mesmo como o estamos a ver naquele momento, seja ele bom ou mau.
Doeu, quando acordei.
Esqueci-me de que eras um pássaro. Não me lembrei de que tinhas asas e que elas servem para voar. Não me mentalizei logo de que em breve terias de as abrir. Ou melhor, sabia, mas queria manter-te na minha gaiola. Queria que abrisses as tuas asas para me cobrir e não para voar para longe.
Claro, eu já devia estar habituada.
Mas não estava preparada para isto. Foi muito repentino.
Foi bom.
És um pássaro e eu agradeço-te por teres vindo cantar no meu parapeito cinzento e sem sol.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Renasce em ti...em cada amanhecer.

Instantes


Há dias em que me sinto vazia e triste, hoje é um desses dias, em que o meu coração é detentor do meu pensamento, em que a razão parece meramente adormecida, negando-se a responder... confesso, o que vivemos é um tesouro que nunca se varre da mente, é o que não construímos que magoa e mata! É preciso dar espaço e tempo, saber perder e ganhar… Na minha alma tenho o peso da saudade, de uma lembrança, de uma lágrima que não chorei. O peso de uma ausência! Há um doce brilho no silêncio do teu olhar, num simples instante sinto-me renascer em ti, é imprescindível ser, como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos implacáveis connosco… pois o resto não nos pertence.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido.
Eu não: quero uma verdade inventada.

sábado, 11 de fevereiro de 2012


A sustentabilidade é uma maneira inteligente de ver e agir no mundo e relaciona-se com a capacidade do ser humano preservar os recursos naturais sem comprometer as gerações futuras. Pode-se dizer que o mundo é visto conforme os óculos: a visão obtida cada vez que se usa os óculos da sustentabilidade revela que cada atitude de cada pessoa tem consequências positivas ou negativas na sociedade e no planeta do ponto de vista social, económico e ambiental.
Ao longo do tempo, o homem tem vindo a explorar a natureza para potencializar o crescimento económico. Acreditou-se que este modelo criaria bem-estar para todos já que, desta forma, se conseguiu grandes avanços na ciência, tecnologia e indústria. Por outro lado, a economia mundial vive a extrair da natureza, produzir, vender, consumir e deitar fora, acreditando que os recursos naturais existem em abundância.



Ficou bem visível ao longo dos tempos que o crescimento económico não é necessariamente acompanhado de crescimento social e equilíbrio ambiental. O modelo de consumo e de vida do ser humano deve ser racionalizado. Viver de forma sustentável é reinventar a nossa forma de agir perante o planeta e perante a sociedade. É importante reduzir, reciclar, reutilizar e, fundamentalmente, mudar mentalidades.

Até que ponto estará manchada a ciência por detrás do aquecimento global? É inequívoco que os poderes político e económico se sobrepõem a qualquer verdade científica que lhes seja inconveniente.

Seja o preço do combustível ou o destino dos ursos polares, é necessário (e separemos os factos da fantasia) esclarecer as coisas. A nossa interpretação muda, de acordo com a forma como nos “vendem” a imagem do mundo. Por vezes a nossa atenção é encantada para episódios relativamente comuns, com o objetivo de nos abstrair do que é relevante. O homem tem alguma influência na alteração climática, mas não a gigantesca pegada ambiental que nos fazem crer. O CO2 não controla o clima. O sol, as nuvens, os oceanos, os vulcões, glaciares e vapor de água são os factores determinantes para as alterações climáticas.
Será que o crescimento económico por si só é capaz de gerar qualidade de vida para todos nós em equilíbrio com a natureza?

Quem sou eu?


Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre, não me mostrem o que esperam de mim, porque eu vou seguir o meu coração. Não me façam ser quem eu não sou, não me convidem a ser igual porque sinceramente sou diferente, nem sei amar pela metade, não sei viver de mentira nem sei voar com os pés no chão…eu sou sempre a mesma….mas com certeza não serei a mesma para sempre!
Certamente que todos já pensamos um dia: “Quem sou eu?” Não é fácil dar uma resposta a esta questão…e se calhar é aquela que é mais ignorada. Porque saber quem realmente somos custa.
A minha vida é um livro, livro esse que ainda não tem um título, em certos capítulos com altos e baixos, algumas pedras, outros o sabor do vento e o aroma da caminhada adoçaram a viagem…algumas lágrimas e muitas gargalhadas.

Mais uma vez apercebi-me que a vida não é um corredor reto e tranquilo que se percorre livremente e sem entraves, mas um labirinto de passagens, pelas quais devemos encontrar o nosso rumo…por vezes ficamos perdidos e confusos, de vez em quando presos num beco sem saída. Porém de que valeriam as vitórias se não existissem fracassos…provavelmente nem existiam. Olho para trás e… sim! Voltava a fazer tudo outra vez, provavelmente com um ‘timming ‘ diferente. Não tenho o direito de escolher todos os acontecimentos , é difícil pensar que o mundo para o qual preparei a minha prole, possa não ser o que se aproxima, mas temos que aprender a  nos equilibrar nos extremos.
No final o que me move, não é suficiente forte para me derrubar, mas é intenso o suficiente para me fazer ir mais além.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012


Perdi-te....uma vez mais ao acordar, aconcheguei-me no teu abraço para que o sonho não terminasse,  mas voltei a acordar sozinha. Ainda dói o frio que percorre o meu corpo, que faz gelar o meu peito...ou será a alma...aquela que ficou num vazio desde que povoas os meus sonhos.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A Ucrânia perdeu 1/4 da sua população no decorrer da 2ª Guerra Mundial. Neste programa de talentos da TV Ucraniana, a jovem de 24 anos Kseniya Simonova impressionou... quer pela técnica... quer pela carga emocional da mensagem...
A frase que escreve no final significa: "Vocês estão sempre junto de nós"...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O gigante adormecido

Acordei,  pensei que tinha sido atropelada por um elefante. Os músculos doridos, os olhos pesados. Mas a única coisa que me doía era o coração.
Povoaste os meus sonhos mais uma vez. Toda a noite. Acordei com o corpo dorido e a alma magoada. Mal disposta. Zangada. Desnorteada. Fizeste questão de te passear na mi...nha cabeça a noite toda. De respirar nos meus ouvidos. De tocar os meus lábios. De te mostrar bem real aos meus olhos. Não foram as promessas, nem as recordações. Não foram os sonhos ou as ambições. Foi o teu sorriso. O teu beijo. Isso doeu, sim!
Acordei a pensar que não passas de uma doença. De algo cujo tratamento é demorado, longo. Demasiado longo. Como se corresses no meu sangue. Como se estivesses lá, como um gigante adormecido. Toda a noite. Foi uma luta inglória. Acordei dorida, pesada, sofrida, magoada. Foi muito mau de tão bom que foi. Mas não fiquei feliz por te ver. Nem por te sentir. Não sorri com as memórias, não recordei as histórias.
 Acordei revoltada, amargurada. Não quero. Não te quero. Nem nos meus sonhos. Mas estavas lá. A sorrir e a prometer.Mas tinhas outros sonhos. Outra vida. E eu sentida, iludida. Quero acreditar que só mexes assim comigo nos sonhos porque está tudo lá. O passado. Que é apenas um reviver das emoções passadas. Que é uma água que não volta ao meu moinho.
Não te quero nos meus sonhos, na minha alma! Não quero acordar assim. Fora de mim. Magoada. Afinal foi só um sonho, mais nada. Mas foi o suficiente para me roubares o sorriso e me estragares o dia! Sufocas-me! Cegas-me! Magoas-me! Mesmo que só em sonhos.
Compartilhamos segredos, dores, risos...
Antes uma menina, hoje uma mulher. Os sonhos não são mais os mesmos, muitos dos desejos foram realizados, passos maiores estão por vir. Sinto-me insegura, porém... Por muito tempo acostumei-me a andar ao teu lado, ter tua mão pra segurar, teus braços pra envolver-me e muitas vezes chorar....
Dei por mim com um rol de questões na mente...
Se é a morte a única coisa certa e previsível desde o início da nossa existência... porque é a mais mais difícil de aceitar?
Desde a concepção, não se sabe nada do que será a nossa vida, não se pode planear nada com absoluta certeza.
 A única certeza que temos é que um dia, só não se sabe quando, havemos de morrer.
Então porque é que não nos conformamos? Porque é que esta dor é tão forte que supera todas as que temos ao longo da vida?
Os humanos - ou melhor, os seres pensantes e emotivos - são ainda mais complexos do parecem.
Somos tão frágeis perante as fatalidades...
Somos tão frágeis perante a morte...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Fazes-me tanta falta!

Fecho os olhos….e lentamente as lembranças emergem, parecendo as páginas de um livro que ganhou vida. Era inevitável este aperto no peito e o nó na garganta, respiro fundo… mas as lágrimas beijam o meu rosto como se não houvesse amanhã. Não pensei que seria tão difícil! Quase que consigo tocar-te e sentir o calor do teu abraço, és tão real no meu pensamento. Nada dura eternamente e ambos sabemos que o coração é que escolhe. A leve brisa que te trouxe até mim, levará esta agonia incessante…. Tentei dizer-te que a distância aproxima duas pessoas quando se amam, mas já tinhas desistido de nós. Amei-te e nunca te pedi nada em troca….sempre te deixaste ir ao sabor da corrente…não foi importante para ti se partilhámos o mesmo ar e os mesmos sonhos…foste a minha maior alegria e a minha maior decepção. Ás vezes sinto que o que vivemos, lentamente se transformou na mais fina e leve areia…que se desvaneceu por entre os meus dedos. Não sei para onde vou, nem se quero ir…quero sim me encontrar. Resta-me colocar um ponto final, limpar as lágrimas e fechar o livro!

Não vês?

Tu
que tens medo de te perder no horizonte
não vês
que te perdes
em cada sombra
em cada lágrima
em cada anoitecer.
Não vês
que te perdes
no amor
na tristeza
na dúvida
Não vês
que te perdes
em cada abraço
em cada sorriso
e em cada palavra tua...
E eu
Diz-me onde te encontro?.....

Um ano...

Um ano...
Lembras-te?
De uma certa praia, um certo mar.
Um certo vento dilacerante, um calor reconfortante.
Aquele beijo, aquele abraço, aquelas promessas...
levadas pelo vento.
Aquele sentimento apagado pelo tempo.
E um coração
caído
quebrado
abandonado.
De novo erguido e colado.
Hoje ele é diferente
Tudo é diferente.
Tu és diferente;
já nem sei quem és.

Diz-me,
Que farei eu com um estranho?
E este abraço faz-me desejar outras coisas.
É muito bonito que me dês a honra de avaliar o longe e o perto.
É muito bonito que me dês todo esse valor e que vejas em mim
o que tantos não viram, o que eu não vi, o que eu se calhar não sou!
Quero mais de ti, de nós
Ainda assim é bom.
É bom morar num abraço onde tu não vês a minha lágrima. Não vês. Ou não percebes.
É bom.
Nem que seja só por um bocadinho...
Sabe bem ter-te por perto.

Sabes?

Será que sabes
Que o sol brilha cada vez que te vejo
cada vez que sinto o teu cheiro
e o calor dos teus lábios junto dos meus?
Será que sentes
como eu sinto
que não sei adormecer sem ti,
sem o teu abraço?
Julguei.....
que seria forte sem a tua presença
que o sol voltaria a brilhar....
desde então perdi o meu sorriso.....
e sem o teu abraço
sem o teu cheiro
sem o som da tua voz
Cada dia que passa é mais cinzento
que o dia anterior,
o sol já não me aquece....
penso que sendo o céu redondo
um dia nos voltaremos a encontrar!

Sim é...

Espero por ti porque acho que podes ser o homem da minha vida. E espero por ti porque sei esperar, porque nos genes ou na aprendizagem da sabedoria mais íntima e preciosa, há uma voz firme e incessante que me pede para esperar por ti. E eu gosto de ouvir essa voz a embalar-me de noite antes de, tantas e tantas vezes, te encontrar nos meus sonhos, e a acalentar-me de manhã, quando um novo dia chega e me faz pensar o quão longa e inglória pode ser a minha espera.
Há um tempo para acreditar, um tempo para viver e um tempo para desistir, e nós tivemos muita sorte porque vivemos todos esses tempos no modo certo. Podias ter-me dito que querias conjugar o verbo desistir. Demorei muito tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas. Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a subtracção é a arma mais cobarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta de deixar fenecer os sonhos. Mas a vida ensinou-me o contrário. Hoje sei que desistir é apenas um caminho possível, às vezes o único que os homens conhecem. Contigo aprendi que o amor é uma força misteriosa e divina. Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã ao acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias.
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito. Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer.
Somos nós, com os nossos passos, que vamos fazendo o nosso próprio caminho. Há quem corra demasiado depressa e perca a alma no trajecto, há quem mude de ideias e arrisque um atalho, há quem não saiba escolher a melhor direcção quando chega a uma encruzilhada, há quem deixe pedras pelo caminho para não se perder, se precisar de voltar para trás.
Não sei que espécie de caminhante sou, para onde vou, não sei. Nem sei para onde vais. Nem tu sabes. Pode ser que um dia acordes com uma luz nova, uma força desconhecida que te vai trazer até mim… Sei que há uma força estranha que me faz correr para ti, embora nunca, em nenhuma circunstancia, corra atrás de ti, porque não posso, não me é permitido interferir no teu destino e mudar o curso da tua vida. Isso, terás que ser tu a fazê-lo, por ti e para ti, se assim o entenderes. Será que sentes a mesma força?

Muito prazer!

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se quer saber se é possível,ofereço´me como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou. E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que fazem milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois é, inclua na sua lista a Culpa Zero.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para dar uma escapadinha!
Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que nem sei se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que se pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque a nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa de respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação da sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isto, francamente, está precisando rever os seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousada rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e dar-nos uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante’